quinta-feira, 25 de junho de 2015

Eu sou o irmão mais velho



Não sei se já aconteceu com vocês, mas comigo já ocorreu de desenvolver instintivamente um sentimento e quando menos me dei conta já havia o classificado equivocadamente como justiça. Vou explicar.

Sempre que vejo uma instituição prestes a se desmoronar, vejo pessoas que "seguram as pontas", pessoas "que não abandonam o barco". Sempre há pessoas que permanecem firmes e fazem de tudo para reerguer essa instituição "em ruínas", enquanto outras simplesmente desistem por classificarem aquela tentativa como falida. Entenda como instituição qualquer modo de interação social, ex: igreja, família, grupos de estudos, de visitação, de oração, de louvor, de dança, etc. 

No começo, pensei que esse meu sentimento de revolta fosse parecido com o de Neemias, daquela vez que voltou a Jerusalém após ter reconstruído e instituído ordem para as atividades sagradas no Templo e na cidade, e tendo ficado furioso ao perceber que depois de um tempo o povo não cumpria mais com o mesmo zelo como quando do início, como quando haviam sido cheios da alegria do Senhor. Para Neemias era um sentimento plantado por Deus, para repreender as pessoas para que se voltassem à observância do cumprimento da palavra. Mas com relação a mim, não passava apenas de um desejo de fazer as coisas corretamente, apenas isso. Não necessariamente por ser relacionado a Deus, mas por ser uma postura natural minha, por ser metódico. Tal sentimento, não me fazia bem e nem às pessoas à minha volta. 

Eu cheguei a achar muito justo quando Neemias, ao visitar Jerusalém pós-reconstruída, repudiou a honra que Tobias, um dos zombadores que trabalharam contra a reconstrução, estava recebendo, ocupando uma das importantes salas do Templo. Quando eu lia, pensava comigo: "esse tal de Tobias além de não ajudar, só atrapalhou, não acreditou na empreitada, mas agora que está tudo lindo, em pé, reformadinho, agora ele quer? Negativo! Tá certo, Neemias, taca-lhe pau, Neemias!"

Depois de um tempo, refletindo após ouvir uma ministração sobre a parábola do filho pródigo, Deus me mostrou o quanto me encaixava naquela história, não por ser o filho rebelde que saiu de casa, torrou todo o dinheiro e depois voltou arrependido, não. Me encaixava na história por ser o filho mais velho, que permaneceu em casa, obedecendo ao pai, mas nunca havia sido reconhecido como achava que merecia.

Depois dessa lição do Espírito Santo, percebi inúmeras situações em que deixei esse sentimento imperar. Inúmeras instituições das quais participei (dentro da família, nos grupos da igreja, no ambiente corporativo, nos grupos da faculdade, etc) que passaram por dificuldades, mas superaram, e no momento de ascensão outra pessoa recebia os méritos com exclusividade enquanto os outros, entre os quais me encaixa, recebiam nada menos que "muito obrigado" automático. 

Orei a Deus, pedindo perdão e agradecendo por Ele ter me feito perceber o quão destrutivo é esse sentimento. O quão carnal ele é, e o quanto ele me afastava de Deus, pois murmurava muito. E agora agradeço por Ele trabalhar em mim, me ajudando a vencer. 

Queridos, esse sentimento é real, e não podemos subestimar a sua capacidade destrutiva de dividir, provocar ira, inveja, murmurações e bloquear a chance de amar ao próximo como Deus deseja.

Se alegre com aquele que voltar, e se ele ocupar uma posição que você julgar mais importante, lembre-se que Deus nos ama da mesma forma, igualmente de maneira infinita. Não dê espaço para a inveja, nem para as contendas ou divisões. O tempo é de unir!! 

Deus os abençoe!!

FÁBIO AUGUSTO

0 comentários:

Postar um comentário

O que você achou disso?

Tecnologia do Blogger.