quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Ainda lembro aquela canção


Infelizmente, o número de pessoas, principalmente jovens, que se desanimam da caminhada com Cristo e se desviam da Casa de Deus não é pequeno. Cada vez mais pessoas, por qualquer que seja o motivo, tem se distanciado de Deus, deixado de ir à igreja, deixado de orar em casa, deixado de se sentir atraído pelas coisas do céu. É triste sim, ver pessoas que em determinado momento oram, louvam, pregam, jejuam, trabalham arduamente na obra do Senhor, e em outro está às margens da vida, frequentando baladas, se embebedando, se drogando, se prostituindo, procurando felicidade nesses locais. É triste. E acredito que todos temos alguma história para contar, se não a própria, de alguém próximo. Pessoas nessa condição chegam a não reconhecer mais a voz de Deus. Ficam à deriva da vida, a esmo dos dias, às margens da Graça.

Não seria novidade dizer, que nosso papel como cristãos é cuidar dessas pessoas, seja com oração, visitas, telefonemas, ou qualquer outro recurso disponível. E mais do que isso, devemos encorajar essas pessoas a pescar na memória os momentos que teve de intimidade com Deus, os conhecimentos obtidos pela Palavra de Deus, a certeza que tinha no Amor do Pai.

Quero compartilhar com vocês uma história que li em Graça – Max Lucado. O texto é um pouco extenso, mas vale a pena conferir. Acompanhem:

“Barbara Leininger e sua irmã Regina eram filhas de imigrantes alemães que se estabeleceram em Colonial, Pensilvânia, e as duas garotas tinham onze e nove anos quando foram sequestradas. Em um dia de outono, em 1755, as irmãs estavam na cabana, na fazenda, com o irmão e pai quando dois índios guerreiros abriram a porta com força. Muitos dos nativos na área eram amistosos, mas não esses dois. Barbara e Regina ficaram juntas, encolhidas, enquanto o pai dava um passo à frente. Sua esposa e o outro filho estavam passando o dia no moinho. Estavam em segurança, mas as duas filhas não.
Ele ofereceu comida e tabaco aos índios. Disse às garotas que pegassem um balde d’água, que os homens deviam estar com sede. Enquanto as garotas se apressavam pela porta, ele falava com elas em alemão dizendo que não voltassem até que os índios tivessem ido embora. Elas correram até o riacho mais próximo. Enquanto pegavam água, um tiro ressoou. Esconderam-se no mato e observaram a cabana ser consumida pelas chamas. O pai e o irmão nunca saíram, mas os dois índios sim.
Encontraram as garotas escondidas e as levaram com eles. Outros guerreiros e prisioneiros logo aparecerem. Barbara percebeu que ela e Regina eram apenas duas das muitas crianças que sobreviveram a um massacre. Os dias se transformaram em semanas, enquanto os índios levavam os prisioneiros para o Oeste. Barbara fazia o máximo para ficar perto de Regina para encorajá-la. Ela lembrava Regina da canção que a mãe ensinara:

Sozinho, mas não só
Embora na solidão tão sombria
Sinto meu Salvador sempre junto a mim
Ele vem  nas horas exaustivas para animar
Estou com ele e ele comigo
Portanto, não posso estar solitário.

As garotas cantavam uma para outra, enquanto adormeciam à noite. Desde que estivessem juntas, acreditavam que poderiam sobreviver. Em um determinado ponto, entretanto, os índios se dispersaram, separando as irmãs. Barbara tentou segurar-se em Regina e soltou a mão dela somente sob ameaça de morte.
As duas garotas foram levadas em direções opostas  A jornada de Barbara continuou por várias semanas, cada vez mais floresta adentro. Finalmente, a vila indígena apareceu. Ficou claro que ela e outras crianças deveriam esquecer os pais. Não era permitido falar em inglês, somente iroquian. Eles cultivavam a terra e curtiam o couro. Vestiam calças de couro e mocassins. Ela perdeu completamente o contato com a  família e com os colonizadores que conhecia.
Três anos depois, Barbara escapou. Ela correu pela floresta por onze dias, chegando, finalmente, em segurança em Fort Pitt. Implorou para que os oficiais enviassem um grupo de resgate para procurar por Regina. Eles explicaram a ela que essa missão seria impossível e conseguiram que ela se reunisse com a mãe e o irmão. Ninguém tinha notícias de Regina.
Barbara pensava na irmã diariamente, mas a sua esperança só se concretizou seis anos depois. Ela havia casado e constituído a própria família, quando recebeu a notícia de que 206 prisioneiros foram resgatados e lavados a Fort Carlisle. Estaria Regina entre eles?
Barbara e a mãe foram até lá para descobrir. A aparência dos refugiados as deixou espantadas. A maioria deles passaram anos isolados nas vilas, separados dos colonizadores. Estavam magros e confusos; e tão pálidos que se confundiam com a neve.
Barbara e a mãe caminharam para cima e para baixo, chamado Regina, buscando rostos e falando alemão. Ninguém olhava ou respondia. A mãe e a filha viraram-se com lágrimas nos olhos e disseram ao coronel que Regina não estava entre os resgatados.
O coronel insistiu para que se certificassem. Ele pediu que identificassem sinais como cicratizes ou marcas de nascença. Não havia nenhuma. Perguntou sobre  objetos de família, como colares ou pulseiras. A mãe balançou a cabeça negativamente. Regina não estava usando nenhuma joia. O coronel teve uma última ideia: havia alguma memória ou canção de infância?
Os rostos das duas mulheres se iluminaram. E a canção que cantavam todas as noites? Barbara e a mãe imediatamente viraram-se e começaram a caminhar lentamente pelas fileiras. Enquanto caminhavam, cantavam, ‘Sozinho, mas não só...’ Por um longo tempo ninguém respondeu. Os rostos pareciam confortados pela canção, mas ninguém reagia a ela. Então, de repente, Barbara ouviu um choro alto. Uma garota alta, magra, veio correndo da multidão em direção à mãe, abraçou-a e começou a cantar o verso.
Regina não reconhecera a mãe ou a irmã. Esquecera como falar inglês ou alemão. Mas lembrava da canção que fora colocada no coração dela quando garotinha.”

Da mesma forma como essa garota da história tinha uma identidade, uma memória para reavivar seus dias, Deus tem uma mensagem especial e secreta para cada um de seus filhos. O Espírito Santo causa saudade no coração daquele que já experimentou da Sua preciosa comunhão.

Abraço! Fiquem na paz de Cristo!




1 comentários:

Eduardo Medeiros disse...

Quando tudo perde o sentido, precisamos trazer a memória aquilo que nos traz esperança! Deus abençoe Fábio pelo ótimo texto!

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